Bem, aqui começo eu. Não sei exatamente o que falar, pois afinal são tantas coisas que ocorreram nos últimos dois meses! Aliás, essa história de intercâmbio é muito mais antiga do que isso.
Fevereiro de 2006: faltavam cinco meses para o meu aniversário de 15 anos. Como nós, aqui no Brasil, temos o costume de fazer uma festa caprichada, eu sonhava com uma linda festa. Mas, para ser sincera, eu estava dividida entre uma super-festa e uma viagem ao exterior. Ao contrário da maioria dos jovens, que sonham em ir para a Disney com essa idade, eu não queria. Minha vontade mesmo era de fazer um programa de férias no Canadá, no recesso escolar. Quando conheci o programa, fiquei maravilhada! Era exatamente o que eu queria: imagina, ficar um mês num país tão lindo, estudando durante um turno e passeando durante o outro. Achei super interessante a duração do curso, que é de quatro semanas: muito mais do que ir para a Disney em excursões comuns e bem menos do que um programa de intercâmbio normal.
O que ocorreu, porém, foi que eu tive de escolher: festa ou intercâmbio? Em meio a um uni-duni-tê e uma grande dúvida, acabei optando pelo aniversário, com o seguinte argumento: só se faz 15 anos uma vez na vida. Quando a minha festa aconteceu, percebi imediatamente que tinha feito um ótimo negócio. Ela foi surreal, única, não a trocaria por nada. Ela foi resultado de um imenso carinho dos meus pais. O meu intercâmbio, entretanto, havia ficado prometido.
Março de 2007: mamãe folheava um jornal de área profissional quando viu uma coluninha, à esquerda, comentando sobre um concurso de bolsas de intercâmbio de High School no exterior, da World Study. Ela me disse, e eu, relativamente desinteressada, soltei um “Ah, que legal”. Ela se entusiasmou na hora. Eu continuava sem interesse, pois tinha medo, e muito medo. Não era de medo de ir nem nada: era medo do concurso. Não gosto de perder, aliás, ninguém gosta. Temia ser reprovada, ver que o meu inglês é ruim, que não sei nada e entrar no desespero. Além disso, estava acostumada com a minha vidinha aqui. Planejava prestar o vest 2009 na federal, passar em arquitetura, continuar aqui, tudo aqui. Enfim, eu não estava com muito interesse.
Mas mamãe foi mais forte e me convenceu. Disse-me que oportunidades nunca são perdidas. E não são mesmo. Sempre há alguém disposto a agarrar uma oportunidade. E, além disso, só se pode perder de uma maneira: deixando de tentar. Por que, enquanto estamos tentando, ainda temos chance de ganhar, não é mesmo? A prova nem exigiria um grande esforço: uma prova objetiva de conhecimentos gerais (leia-se atualidades), uma redação e uma prova objetiva de inglês. Simples. Indolor.
Pois bem, feita a inscrição, me dirijo ao local da prova. Havia outros adolescentes além de mim, querendo aquela bolsa. E foi nessa hora que senti uma imensa vontade de ganhar, de sabe, conseguir a bolsa e provar para os outros que eu conseguiria. Abri a prova: questões de atualidades, o que me causou um grande arrependimento por não estar lendo jornais e revistas há mais de um mês. Uma questão perguntava o nome do tailandês secretário-geral da ONU. Logo abaixo, quatro alternativas com quatro nomes japoneses, chineses, algo assim. Eu não sabia, não tinha jeito, além de outras. Eu não ganharia aquele concurso.
A vida continuou. Passado outro ano, recebo em casa uma correspondência, me convidando a fazer o concurso. Animação zero: estava no meu ano de vestibular, estudando pra passar em qualquer coisa (o que eu escolhesse na hora da inscrição, minha indecisão é gigantesca!)
Mamãe me convenceu a fazer. Tá, eu faço. Na prova, um terrível friozinho na barriga; no final, a amargurante impressão de perdi uma grande oportunidade: minha prova fora uma porcaria.
Mas no final de tudo me ligaram dizendo que eu tinha ganhado em primeiro do ES (só os primeiros de cada estado concorrem às bolsas) e em segundo do Brasil (!). Ganhei uma bolsa de um ano de High School nos EUA, e comecei a correr atrás dos papéis! Burocracia!
Não, ninguém comenta este post =]
quarta-feira, maio 21, 2008
Assinar:
Postagens (Atom)
